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UE cede à Turquia para travar fluxo de refugiados

A União Europeia vai acelerar o processo de liberalização de vistos com a Turquia, cedendo a uma das exigências que Ancara fazia para travar o fluxo de refugiados, naquela que é considerada a pior crise migratória na Europa desde a II Guerra Mundial. Mais dinheiro e a abertura de novos capítulos na discussão da adesão eram outras das exigências turcas, ontem analisadas pelos líderes europeus na cimeira europeia, em Bruxelas, a quarta dedicada ao tema dos refugiados. A cimeira devia continuar hoje, mas a segunda parte foi cancelada.

No final do encontro de ontem, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, confirmou que houve um acordo com a Turquia, incluindo a aceleração do processo de liberalização de vistos, mas “sem haver um desvio dos critérios básicos”. O tema do financiamento será negociado mais tarde, não tendo ficado estabelecido qual o valor em causa. O rascunho do acordo falava apenas em “intensificar substancialmente o compromisso político e financeiro” com Ancara. “Um acordo e concessões à Turquia só fazem sentido se se conseguir reduzir o fluxo de migrantes”, indicou ao seu lado o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, falando num “optimismo cauteloso”.

A Turquia é a principal porta de entrada de migrantes na Europa, que usam pequenas embarcações para chegar às ilhas gregas e, uma vez no continente, seguir até à Europa Central. Os líderes europeus esperam que ao ajudar a Turquia, nomeadamente com dinheiro, possam desencorajar os refugiados sírios de fazer a perigosa viagem. Mais de três mil migrantes já morreram este ano no mar Mediterrâneo.

“Sem dúvida que a Turquia desempenha um papel importante. A maioria dos refugiados de guerra que chegam à Europa viajam através da Turquia. Não seremos capazes de deter o movimento de refugiados sem trabalhar em conjunto com a Turquia”, disse a chanceler Angela Merkel no Parlamento alemão, antes de partir para a cimeira. No final, a chanceler disse que a Turquia terá de fazer promessas em relação ao tratamento dos refugiados em troca do apoio da UE.

Merkel disse que discutirá os pormenores com Ancara quando visitar a capital turca, no domingo. Em casa, a chanceler está a ser pressionada pelos aliados bávaros para ter uma posição mais dura em relação aos refugiados. A Alemanha espera receber mais de um milhão este ano e a chanceler recusa mandar para trás os requerentes de asilo. À chegada a Bruxelas tinha pedido “solidariedade” para com os refugiados.

Mas o debate sobre as concessões à Turquia promete continuar. “Com o pretexto de que a Turquia nos vai ajudar, não podemos aceitar que haja liberalização de vistos sem controlo”, avisou o presidente francês, François Hollande.

Antes do final da cimeira, o primeiro-ministro búlgaro, Boyko Borissov, deixou Bruxelas por causa de um incidente na fronteira entre a Bulgária e a Turquia. Um guarda búlgaro terá morto um migrante afegão quando um grupo de 30 pessoas tentou entrar no país, segundo as informações que foram avançadas em Bruxelas.

Longa discussão

O tema que fez prolongar a cimeira até depois da meia-noite em Bruxelas foi a criação de um mecanismo de redistribuição dos refugiados, com a Alemanha (apoiada por Suécia e Áustria) a exigir uma referência nas conclusões finais. “Precisamos de um sistema comum de redistribuição”, dissera à entrada o primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven.

Em cima da mesa esteve também o reforço das fronteiras externas, com os 28 a concordarem na criação de uma verdadeira força de guardas-fronteiriços europeia, que vai para além do actual sistema Frontex. “A proposta para a criação de um sistema europeu de guardas-fronteiriços foi adoptada”, indicou Hollande.

Fronteira Hungria-Croácia

A Hungria ameaçou fechar a fronteira com a Croácia para impedir a chegada diária de milhares de refugiados caso os líderes europeus não aceitem a criação de uma força conjunta para os travar na fronteira grega. Budapeste já concluiu a construção de uma vedação ao longo da fronteira com a Sérvia, para travar o fluxo migratório, mas isso só o desviou para a Croácia. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, terá dito aos media locais que fecharia “numa hora” a fronteira caso não houvesse decisão em Bruxelas.

Protesto

Cerca de 600 pessoas tentaram “cercar” a cimeira da UE num protesto contra o projecto de acordo de livre-comércio, em discussão entre a UE e os EUA com vista a suprimir as barreiras alfandegárias. A polícia efectuou cerca de cem “detenções administrativas”, após serem registados casos de violência entre manifestantes e agentes. Entre os detidos, segundo a imprensa espanhola, estão três deputados regionais do Podemos, de Pablo Iglesias.

Fonte: Diário de Notícias

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