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Acordo milionário para Portugal

Foi uma luta renhida mas, no final, a diplomacia portuguesa venceu. O Canadá tentou convencer o príncipe Aga Khan a escolher Ontário como sede mundial da comunidade ismaili mas será Lisboa a “capital” dos 15 milhões desta minoria xiita que, sem um território a que possam chamar seu, vivem um pouco por todo o mundo. Até hoje, existia uma delegação central em Chantilly (Paris), que será transferida para território nacional. A residência oficial do príncipe passará também a ser em Portugal, onde vivem sete mil ismailis Khoja, ou seja, de matriz étnica indiana, com raízes em Moçambique. É uma comunidade com elevado estatuto social e poder económico, com importantes ligações ao mundo dos negócios – como a família Sana, proprietária dos hotéis com o mesmo nome, e os irmãos Sacoor, fundadores da multinacional de vestuário.

O acordo assinado na semana passada entre o Estado português e o Imamat Ismaili trará para Portugal investimentos de centenas de milhões de euros. A construção das novas instalações da sede e da residência oficial do príncipe, bem como a deslocação das centenas de funcionários que trabalham nas agências da Rede para o Desenvolvimento Aga Khan (nas áreas da educação, cultura ou combate à pobreza) serão as obras mais imediatas. Os maiores investimentos chegarão depois, em investigação científica e Medicina, bem como na cooperação para o desenvolvimento – com países como Moçambique a colherem também benefícios.

As intensas negociações envolveram dezenas de pessoas em várias capitais mundiais, sob a liderança do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, e Nazim Ahmad, representante da rede Aga Khan em Portugal. Para a escolha do nosso país contribuiu o facto de ter sido o primeiro Estado não muçulmano a assinar acordos com o Imamat Ismaili, primeiro em 2005 e depois em 2009, tendo por base a lei da Liberdade Religiosa, reconhecendo-lhe um estatuto semelhante ao Vaticano, bem como o facto de se sentirem aqui bem integrados.

Numa altura em que os extremismos islâmicos conquistam terreno no mundo, a aproximação a uma comunidade muçulmana que cultiva a tolerância e a paz foi vista, pelo governo português, como uma aposta estratégica. Rui Machete considera que esta é “uma ocasião histórica para Portugal” e destaca o “modelo de participação cívica e de consciência social a todos os títulos notável” dos ismailis. A investigadora de assuntos islâmicos Faranaz Keshavjee explica que estes muçulmanos “vivem procurando a sua própria prosperidade mas sempre com a premissa de valorizar a sua passagem pelo mundo, deixando algo mais do que aquilo com que chegaram”. A Rede Aga Khan é o pólo institucional a partir do qual actuam.

Fonte: Visão

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